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Lenço ou “cachené”
Lã fina, dim. 87x87 cm
Comprado a Ana Carlos Chita, 1976
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 463 Etn.

 

Lenço usado pelas mulheres da Nazaré, no traje de festa.

Até muito recentemente as mulheres raramente saíam à rua com a cabeça destapada. A prática de cobrir a cabeça com um véu ou um lenço vem de tempos imemoriais. Para além de questões práticas e estéticas, a ela associam-se questões sociais e do foro do sagrado.

Na Nazaré, o lenço (ou “cachené, como também é popularmente conhecido) continua a ser uma peça essencial para as mulheres que ainda usam o traje tradicional no dia-a-dia. Se a capa negra e o chapéu de feltro já desapareceram (em uso apenas pelos grupos folclóricos), o lenço persiste na sua notoriedade, somando-se ao “avental de festa” como fator de uma certa vaidade entre as mulheres.

Depois de ter penteado o cabelo e feito o “rolo”, a mulher coloca o lenço sobre a cabeça. Um lenço de lã ou de algodão, estampado com decorações geométricas ou florais simples, delimitadas por uma barra lisa. É um quadrado com cerca de 1 metro que, depois de dobrado em triângulo rectângulo, proporciona efeitos estéticos por vezes surpreendentes, pelos seus padrões, cores e maneiras de pôr.

Assim como o traje na sua globalidade, os lenços também denunciam uma função social, de trabalho, festa ou cerimónia. Por exemplo, os lenços em tom de roxo são mais comuns na proximidade do “Senhor dos Passos” (Quaresma); o preto ou o cinzento reservam-se aos momentos de luto; os de festa são mais coloridos e com tecidos mais delicados.

Atados de diversas maneiras, os lenços “falam” pelas mulheres que os usam. Consoante as funções que esteja a desempenhar, os seus traços da personalidade, os seus estados de espírito, para fins de agasalho ou para embelezar nos momentos festivos ou “domingueiros”, existem múltiplas maneiras de dispor o lenço, algumas registadas a desenho por Abílio de Mattos e Silva, nos anos 1950, em "Maneiras de pôr o lenço" (136 Des.)

Para saber mais sobre este e outros lenços existentes no Museu Dr. Joaquim Manso consulte MatrizNet ou consulte a exposição "O meu cachené" (2015).

 

lenço 463 museu nazare

Data:

Local: Museu Dr. Joaquim Manso | Nazaré

Publicação: 02-01-2020

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