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Objeto do Mês | junho 2019

 

Saia de baixo, anos 1930-40
Tecido de algodão cinzento e branco
Alt. 67 cm
Adquirido a Ana Carlos Chita, 1976
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 472 Etn.

 

Sabemos que tem muita curiosidade para ver as “saias de baixo” das nazarenas. Afinal, usam ou não 7 saias?

Esta é uma “saia de baixo” ou interior, para os dias de festa. Pertencia à nazarena Ana Carlos Chita, antes de integrar a coleção do Museu Dr. Joaquim Manso, no ano da sua inauguração, em 1976.

Na Nazaré, o traje tradicional ainda continua em uso no dia-a-dia por algumas dezenas de mulheres. Hoje como ontem, no quotidiano, envergam-se apenas 2 a 4 saias, sendo nos dias de festa que esse número cresce para 7, número místico que remete para os 7 dias da semana, as 7 cores do arco-íris, a 7ª onda, as 7 virtudes... Mas, na realidade, as nazarenas podem usar mais ou menos do que 7 saias, em função da sua silhueta ou do seu gosto pessoal.

O que é ponto assente é o uso de várias saias, sendo a sua origem não totalmente clara. Pode-se ver nesta prática o desejo em reproduzir a silhueta das “senhoritas” que vinham da capital ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré; ou funções de agasalho, para as longas horas passadas na praia, à espera dos barcos e dos lances.

"Dentro, o que se oculta; fora, o que se exibe. Unindo esses dois extremos, sucede-se uma gradação de cores cada vez mais suaves, saias sempre mais íntimas, numa casta multiplicação de panos que recorda o seu atributo de virtude”. Esta é uma das “mais característica e original utilização da roupa interior no contexto do traje popular português”, segundo a investigadora Madalena Braz Teixeira. Constitui o “símbolo de uma vivência tradicional que se pretende perpetuar em coexistência com novos padrões culturais”. (As Sete Saias, MNT, 1990).

 

Mais informação sobre esta saia (MatrizNet).

Conheça esta e outras saias da coleção do Museu Dr. Joaquim Manso.

saia 472

 

Sob o avental e a “saia de cima”, mais exposta e vistosa, vestem-se as várias “saias de baixo”, sendo a mais próxima do corpo sempre branca.
A “saia de baixo” aqui destacada é uma saia inteira, ou seja, de uma “só roda”; mas também eram comuns as “saias de duas rodas”, como por exemplo as “saias de baixo” inv. 518 ou 519 Etn, em que a “roda” de cima é de flanela às florinhas e a de baixo é em escocês.

A saia afeiçoa à cintura por meio de pregas apenas armadas no cós, que é guarnecido com uma tira de pano cosida do direito da saia e virada para o avesso formando um “debrum”. A orla termina em recortes ou “bicos” caseados a linha perlé lilás, com “picot” em lã cor-de-rosa – as saias são vestidas de acordo com uma sequência de cores dos “bicos”.
No centro de cada “bico”, foram bordados raminhos em várias cores, a ponto cheio e pé-de-flor.

Data: 01/06/2019 a 30/06/2019

Local: Museu Dr. Joaquim Manso | Nazaré

Publicação: 03-06-2019

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