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Objeto do Mês | dezembro 2018

 

Boneca da Nazaré
Col. Museu Dr. Joaquim Manso

 

As “bonecas” fazem parte do artesanato nazareno e resistem à pressão da uniformização do sector. Em versão feminina, mas também masculina, elas servem de recordação da Nazaré a quem visita uma vila que, desde os alvores do turismo nos finais do século XIX, se inscreveu nos roteiros turísticos graças à beleza da sua paisagem natural, à singularidade da faina piscatória em pleno areal e a outras tradições pitorescas, que lhe deram (e dão) fama nacional e internacional.

À semelhança do que se tem verificado noutras atividades populares, o número de pessoas dedicadas a este ofício tende a diminuir, assim como já se notam diferenças no seu processo.

Nazarena Artesã de bonecas Museu2018

Maria Ângela Balé Esgaio (n. 1951, Nazaré), mais conhecida por “Ninina”, é ainda uma das artesãs que veste e vende bonecas no Sítio da Nazaré, no Suberco, ou, quando o ascensor está em reparação, junto ao Museu Dr. Joaquim Manso.

Vestir bonecas foi sempre a sua ocupação, desde criança. Primeiro, para patrões; depois, começou a vestir e vender para lojas e, hoje, ela própria as vende. Filha de gente humilde, começou nesta “arte” para ajudar o sustento da família, aprendendo com o “senhor Belmiro”, no Sítio. Passava-se por um processo de aprendizagem: começava-se pelas saias e chapéus; só ao fim de algum tempo se aprendia a fazer as blusas e restantes elementos.

Nos anos 1950-60, os chapéus eram de aba, as 7 saias eram individualizadas e os aventais eram bordados com todo o pormenor. Hoje, ainda que o processo continue a ser manual, tende a ser mais rápido, sendo as saias simplificadas a folhos cosidos.

Bonecas Nazarenas 2018

Segundo a D. Ninina, a ideia das bonecas nasceu no Sítio, com o “senhor Pedro”, que tinha uma esplanada no miradouro, onde vendia os artigos aos turistas.

Aliás, é o “Sítio que veste as bonecas”. Aqui, ainda mantêm a tradição várias artesãs; a ela se juntam nomes como Ilda, Alice, Lurdes e Rosa Maria, nazarenas que se dedicam a vestir e vender para as lojas, ou a vestir e vender nas suas próprias bancas; da Praia, são célebres as bonecas da Olívia Chicharro.

 

Agradecemos à D. Maria Ângela Balé Esgaio, pela gentileza da entrevista (realizada por Dóris Santos, 27 novembro 2018).

 

Boneca Nazarena Museu

Embora as “Nazarenas” de festa sejam as mais conhecidas e procuradas pelos turistas, há também outros modelos, como o da “Nazarena que vai à fonte”, da “Nazarena que vai o rio” ou da “Nazarena que volta do rio com o cargo à cabeça”. Encontramos ainda o “pescador” e as figuras de luto.
O preço médio pode variar entre os 3,5 euros até aos 10 euros.

Os tecidos são comprados na feira, enquanto as bonecas de plástico são adquiridas no conhecido “armazém do Júlio”, na Rua D. Fuas Roupinho, no Sítio, que as manda fazer segundo um molde, num fábrica da Marinha Grande. Neste estabelecimento, adquirem-se também as rendas e acessórios.

Álvaro Laborinho 2505 Menina Bonecas Nazare

Criança com boneca, na Nazaré, anos 1950-60. Fotografia de Álvaro Laborinho, col. Museu Dr. Joaquim Manso inv. 2505 Fot.

 

O Museu Dr. Joaquim Manso possui uma boneca com 60 cm altura, vestida por Maria Antónia Quinzico, que na sua infância trabalhou na área, sendo o avental bordado por Manuela Conde. Algumas fotografias da autoria de Álvaro Laborinho (1879-1970) ilustram momentos de diversão de algumas meninas com as suas bonecas “nazarenas”. 

Data: 01/12/2018 a 31/12/2018

Local: Museu Dr. Joaquim Manso | Nazaré

Publicação: 27-11-2018

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