o colorido dos bordados do avental de festa...

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Objeto do Mês | março 2018

 

Avental de Festa
Cetim preto

alt. 82 x larg. 104 cm
Doado por Maria Otília Sales Sousinha, 1975
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 355 Etn.

 

Em março, destacamos um Avental de Festa, de cetim preto com umas coloridas flores bordadas.

Março é o tempo introspectivo da Quaresma, a que sucede a época festiva da Páscoa.

Nesses dias, a Nazaré enche-se de cor, jogos tradicionais e festividades, embelezados pelo traje das nazarenas, onde o avental é orgulhosamente exibido.

Na Nazaré, o “traje de festa” é uma peça fundamental do traje feminino, exibido com orgulho. Para a altura da Páscoa, depois do tempo mais recolhido da Quaresma e da Procissão do Senhor dos Passos, as nazarenas reservavam os seus melhores aventais, muitas vezes bordados à mão pelas próprias.

Nos anos 1950-60, organizavam-se “concursos de traje” ou “concursos de avental”, sempre muito participados e com ampla projeção turística.

Ainda hoje, as mulheres que usam “saia de roda” gostam de ostentar os seus “aventais de festa” durante a Páscoa, embora o ponto manual seja cada vez mais substituído pelo trabalho à máquina.

Na sua versão de trabalho, no dia-a-dia, o avental apresenta-se com riscas e cores mais escuras. Mas, em momentos de festa, é no avental que se coloca a maior exuberância decorativa e cromática. O tecido é substituído por outro de melhor qualidade – seda ou merino fino –, e os pontos multiplicam-se. Surgem frutos, folhas de videira ou borboletas, mas mais comuns são os motivos florais, delimitando o avental ou, por vezes, preenchendo quase por completo toda a sua frente.

 



Segundo Abílio de Mattos e Silva (O Traje da Nazaré, ed. 1970), quanto à sua dimensão, quer de trabalho ou festa, eram em “ambos os casos bastante grandes, acompanhando a saia lateralmente e no comprimento, ou cobrindo-a ou deixando ver uma orlazinha”. À época (estudo realizado nos anos 1930), os aventais eram confecionados em duas alturas de pano inteiro. Mas, à medida que as saias foram subindo, nos anos 1950, passam de dois para um folho, de confeção mais simples.

Normalmente, o cós é uma tira que se prolonga nas fitas que o prendem atrás, em forma de grande laço, com pontas caídas e bordadas.

Este avental, oferecido ao Museu Dr. Joaquim Manso por Maria Otília Sales Sousinha, em 1975, é um modelo da primeira metade do século XX, com dois folhos iguais; o primeiro desce do cós e termina com recortes bordados largos e fundos, assim como o segundo. Por cima dos recortes, distribuem-se ramos com flores e folhas bordadas a fio de seda frouxa de várias cores a ponto matiz. As pontas das fitas são também recortadas.

Saiba mais sobre este avental em MatrizNet

Data: 01/03/2018 a 31/03/2018

Local: Museu Dr. Joaquim Manso | Nazaré

Publicação: 21-03-2018

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