O edifício do Museu

A família do 1º Visconde de Sacavém frequentava as Caldas da Rainha, desde o início da década de 1880, e, em 1884, o Visconde de Sacavém comprou um terreno para edificação de um palacete.

O Palacete foi mandado edificar pelo 2º Visconde de Sacavém, José Joaquim Pinto da Silva (1863-1928), para residência de Verão e de lazer, encontrando-se concluído, com anexos, em 1893. A planta fora aprovada pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha, tendo sido a construção confiada a Francisco Matias, desenhador e mestre-de-obras local.

De conceção romântica revivalista, o Palacete apresenta elementos típicos da casa portuguesa - beirais, telhados, torre - e um gosto exótico patente nas gárgulas em forma de cabeças de dragão e de javali, a que acresce o ecletismo dos motivos decorativos, sejam os remates da cornija com semi-arcos e rosetas, seja o brasão e a coroa de Visconde. Foi ornamentado com estes elementos produzidos no "Atelier Cerâmico" (1892-96), criado pelo Visconde de Sacavém e que laborou neste recinto, dirigido pelo escultor austríaco Joseph Fuller; com placas sevilhanas, azulejos e painéis historiados dos séculos XVI a XVIII da coleção do seu proprietário; e com frisos de azulejos de inspiração renascentista, produzidos por Rafael Bordalo Pinheiro, na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. 

Na primeira década de 1900, estaria o Jardim envolvente concluído e ornamentado com objetos de arte, com a vegetação distribuída por canteiros e floreiras, por entre os quais outros elementos de mobiliário exterior se distribuem - lagos e tanques, bancos, escadas e varandins, um auditório ao ar livre - , decorados com azulejaria holandesa e portuguesa e da produção caldense de Bordalo Pinheiro e do Atelier Cerâmico.